quinta-feira, 18 de julho de 2013

Eu já vi esse filme antes?

Faz muito tempo que não apareço por aqui, que não me animo a escrever alguma coisa, não que não tenha o que dizer, parece que tudo ficou assim sem sentido, passei a me sentir apena uma voz no meio da multidão, nada que fosse relevante,  nesse momento, não acredito que tenha algo novo a acrescentar, sinto um não sei o que, que me faz vir aqui.
Vivemos no Brasil, nesse mês de Junho uma situação um tanto inusitada, mês de festa de santo, quadrilha nas escolas, esse ano também, Copa das Confederações da FIFA, a proximidade da visita do Papa ao Brasil, tudo indicava que seria um mês de festejos e comemorações, no entanto o caldo entornou, e muita gente está com aquela cara de "ah é?".

Assistindo às transmissões ao vivo pela televisão, tinha a sensação de ter visto isso nas telas do cinema e nas páginas do livro do laureado Saramago.
Dia primeiro de Junho a tarifa do transporte público sofreu um aumento de vinte centavos, para alguns nada, para a maioria um valor que no final do mês faz a diferença.
O Movimento Passe Livre, que vem lutando pela qualidade do transporte convocou uma passeata na Av. Paulista, muita gente foi para a rua, a polícia exagerou, foi violenta, tratou todos como bandidos, dois dias depois convocaram outra manifestação, a polícia, dessa vez, representada pela Tropa de Choque, usou força excessiva contra os manifestantes, me parece que o tiro saiu pela culatra, mexeu com os brios da população, o estudante, o trabalhados, a avó, a madame, o empresário, o motorista a doméstica a professora e o doutor, todos se encontraram na rua!
Milhares de pessoas saíram às ruas, dessa vez, a cidade parou, tinha muita gente na rua e muita gente é um número enorme de pessoas.
O movimento ganhou muitos adeptos, o Brasil foi tomado por uma onda de protestos, protestou-se contra tudo, contra os vinte centavos, contra a falta de médicos, contra a corrupção, em Brasília, no Rio, em Salvador, em Itapetininga, em Campinas, Curitiba, Pelotas, Santa Maria, São José dos Campos, Bauru, Pouso Alegre, Macapá, Aracaju e Campo Grande, o Brasil parou, nunca se viu uma mobilização assim, sem liderança, sem coordenação, apesar das tentativas ninguém conseguiu se fazer de "pai da criança". As palavras de ordem mais gritadas foram o famoso "SEM VIOLÊNCIA", que inicialmente era dirigido à truculência policial, foi usada para os manifestantes que passassem da medida.
Num país tão cheio de injustiças, sempre depois das manifestações a violência se instalou, muita destruição, saques, nesses momentos a polícia desaparecia, as cidades estavam abandonadas à própria sorte, quem eram afinal esses "vândalos" com tanta  energia para destruir?
 O governo se mobilizou, a presidente se pronunciou, o congresso se agitou, mas quase nada mudou.
Quase dois meses se passaram, as promessas foram muitas, mas nada foi feito, as autoridades nem discursos estão fazendo, estão todos muito quietos, o congresso deu uma agilizada, votou meia dúzia de projetos e entrou em recesso, foram todos para as bases ( mesmo que  Paris e Nova Iorque não seja base eleitoral de nenhum deputado brasileiro). Muito se falou sobre a corrupção, mas ninguém perguntou quem são os corruptores, quem são os interessados nessa bandalheira toda?
Greves, paralisações, protestos continuam acontecendo, durante as manifestções de Junho dizia-se que o gigante acordou, mas minha sensação é que ele está muito atrapalhado.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Certas coisas que poderiam me deixar louca!

Ando muito satisfeita da vida, estou eliminando o excesso de peso que vinha carregando em meu corpo, desde janeiro já se foram onze, até dezembro desejo eliminar mais quatro, quem sabe cinco,  adoro me sentir leve, mais um pouco minhas caminhadas diárias se tornarão corridas diárias, meu corpo está pedindo! Tudo isso com quase cinquenta anos!
Outro dia meu irmão me perguntou se eu estava frequentando alguma seita religiosa, achei engraçado, ele contou que tem um certo pastor propondo que as pessoas se sacrifiquem por algum propósito, sugere que alguém que não consiga passar o dia sem tomar refrigerante, abandone o hábito, ou o vício por um propósito, é mais ou menos o que ando fazendo, só que sem o pastor.
Justamente pelo meu propósito ando bem atenta, aos meus hábitos, ao meu jeito de lidar com as coisas, me concentro para não atacar a geladeira e muito menos o armário (você já percebeu que as coisas mais perigosas moram no armário? O biscoito, o chocolate, aqueles amendoins? - na geladeira tem cenoura, beterraba, alface e às vezes um pudim.)
Por estar caminhando muito, precisei treinar meu cérebro para não ficar muito ativo durante esse tempo, é praticamente uma tortura querer andar duas horas se preocupando com coisas que precisam ser feitas, resolvidas, despachadas, aprendi que  eu tenho que usar essa oportunidade para desligar e aprender a viver cada momento intensamente, não adianta querer ser multi funcional, sempre alguma coisa vai ficar capenga. Em minhas caminhadas me permito a tirar fotos de imagens que eu me encanto!
Por estar atenta ao momento, há coisas que me deixam, no mínimo, desgostosa, aqui em São Paulo temos um prefeito que se preocupou com a aparência da cidade muito mais que qualquer outro, não gosto dele, nunca nem votei no partido dele, mas a Lei da Cidade Limpa merece aplauso, em tempo de eleições os candidatos espertinhos resolveram inovar, inventaram uns cavaletes e espalharam pela cidade! Coisa horrorosa, eu já decidi, não voto nesse tipo de candidato! Aliás a lista é bem mais longa, também não voto em quem faz conchavo com inimigo político, nem em candidato sem nome, Zé Mané ou João das Couves, não é nome, também não voto em candidato que no horário político esquece dos plurais e não tem o mínimo respeito pelas conjunções. Fica difícil votas assim, fica, mas meu voto vale muito para eu jogar no lixo!
Eu votaria na Isadora Faber do Diário de Classe, se ela fosse candidata, essa menina provocou uma verdadeira revolução, mostrou para o povo que vive acomodado que com determinação tudo é possível! Com isso fica definitivamente provado que existem sim adolescentes interessados e comprometidos, que  internet e qualidade podem estar juntas na mesma frase!
Nessa fase, ando bem mais calma, isso é muito bom!

sábado, 28 de julho de 2012

O dia em que acordei magra

Eu faço dieta desde sempre, minha história com a balança sempre foi de controle.
Às vezes um pouquinho mais prá lá, às vezes um pouquinho prá cá, mas sempre controlada, de repente alguma coisa aconteceu e eu engordei, meu peso ficou num patamar muito acima do que eu desejava. Nem todos os conhecimentos que eu tinha resolviam meu problema.
Não tenho muita certeza, mas foi no final de 2009 que eu perdi o controle e comecei a experimentar um efeito sanfona sem dó nem piedade. 
Em dezembro do de 2011, estava assustada e resolvi procurar ajuda de uma especialista, exames feitos,  meu colesterol estava assustadoramente alto,  iniciei o tratamento e até junho consegui perder cinco quilos! Muito pouco para tanto esforço.
Foi então que a endocrinologista disse que queria dar um susto no meu metabolismo, eu deveria fazer uma dieta líquida, por três dias,  sucos, sopas, nada de amidos, nada de açucares, surpresa! Em três dias eliminei um quilo! 
Esse quilo foi o estímulo que estava faltando, investi nas caminhadas, duas horas todos os dias, além da ginástica que faço no Pão de Açúcar, baixei um aplicativo de exercícios o RunKeeper, com ele controlo o tempo e a distância todos os dias, além disso baixei um contador de calorias, no retorno ao consultório constatei o que minha roupa já havia me contado, eliminei 5 quilos em apenas um mes!
Agora estou muito mais perto da minha meta.
Se eu aprendi uma lição? Claro, apesar de achar que tinha o controle, eu não posso bobear, eu tenho que estar sempre atenta, pode parecer chato, mas acho mais chato é não entrar nas roupas que eu gosto.
Com tudo isso experimentei uma sensação que eu adoro de bem estar e disposição que não tem preço!

sexta-feira, 9 de março de 2012

Felicidade nem um pouco Clandestina

Ao deitar meus olhos pela primeira vez em um livro do Saramago  me apaixonei perdidamente, depois do primeiro estranhamento, tudo fez sentido,  li tudo, os romances, os contos, as crônicas, os diários, os infantis, as peças de teatro, até a exposição no Tomie Otake eu fui visitar, com sua morte um vazio se abateu sobre mim, uma tristeza verdadeira.
Durante um tempo não tive vontade de ler nada, nada parecia razoável.
Sabia, por ter lido os Cadernos de Lazarote que o primeiro romance que ele escreveu ficou esquecido na gaveta do editor que não teve interesse em publicá-lo, quando veio o Nobel o tal editor procurou o Saramago interessado em publicar o tal livro. Saramago não quis, disse que quando morresse seus herdeiros que decidissem.
Eis que o livro surge em minhas mãos! Que deleite! Uma história bem tecida, sem pontas soltas, sem descrições desnecessárias com diálogos na medida certa, e para aqueles que dizem que não entendem seus textos por falta de pontuação, sim ele sabe usar a pontuação, com travessão e tudo!
Mais importante que a forma, é um Saramago que já conhece o ser humano profundamente, ainda acredita na humanidade mesmo sabendo de tudo que ela é capaz.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Decisões de Matilde

- Bom dia Maltilde!
- Bom dia!
- Senta ai, minha filha, toma um cafezinho comigo!
- Sentar eu sento, mas eu não vou querer nada,não, obrigada!
- Nada?
- Nada!
- Como assim? Você está recusando uma xícara de café? Nem um tequinho de pão? Olha que está fresquinho, fui buscar agora mesmo! Você está doente?
-  Não, obrigada!
- Que você tem?
- Eu me desviei do caminho, agora meu corpo está cobrando o preço!
- Ai, Matilde, que é que você tem? Você está assustada com o colesterol?
- Também, mas  é o pançol que está me  incomodando!  Antes tudo era muito fácil, eu me moderava e tudo ficava bem, mas agora qualquer coisa que eu ponho na boca vai direto para minha bunda e nunca mais sai!
- Você nunca comeu chocolate, cortou os ovos, a carne vermelha, laticínios, queijos, manteiga, e agora que vai fazer? Você já deu uma emagrecida!
- Deve ser fotossíntese!
- Você está tomando clorofila?
- Não, é que eu só como verduras, legumes e frutas, é o que estou comendo!
- Você não pode ser radical!  a tireóide, como está?


- Funcionando que é uma maravilha! Radical é o meu guarda-roupas, as roupas se revoltaram e nada mais está servindo!
- Deixa de exagero!
- Exagero é o ponteiro da balança!
- Mas você emagreceu!
- Sim, dois quilos e meio em cinco semanas, por isso que ainda estou vestida, ainda tenho umas coisas que entram...
- Matilde, faz um ano que você está fazendo dieta?
- Pois é,  mesmo assim apareceu esse abuso de colesterol e o peso não desce! Acho que isso é resultado dessa menopausa maluca, por isso que eu decidi procurar um auxílio profissional!
- Sua médica que mandou você cortar tudo?
- Não, ela mandou eu me controlar, mas como comigo não existe meio termo tive que partir para cima!
- Cuidado, hein!
- Tem perigo não, os elefantes só comem capim e mesmo assim pesam uma tonelada!
- Então toma um copo de água?
- Água eu posso!

sábado, 18 de fevereiro de 2012

 Manhã de sabado de Carnaval, a cidade ainda não esvasiou, o trânsito mantém sua característica principal, presente, sempre.
São Paulo é essa loucura, o tempo todo, ontem, enquanto as escolas de Samba iniciavam o desfile, o Ibirapuera estava lotado de gente assitindo o Aberto de São Paulo e uma outra multidão no estádio assistindo uma partida de futebol.
Hoje cedo sai e dei de cara com essa cena, o guincho levando quatro bicicletinhas, arrumadas com tanto cuidado que fiquei bem humorada.
Desde quinta-feira meu olho está vermelho, uma coisa muito incômoda e que me deixa chateada.
Como é Carnaval, nada de ficar falando de dores, vou escolher ficar com essa imagem e imaginar a alegria das crianças quando o caminhão chegar na porta da casa delas trazendo esse carregamento de alegria, diversão e aventura.
Como sei disso? Não sei mas é a única coisa que posso imaginar!

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Crise pessoal

Coisas indesejáveis estão acontecendo comigo. de uma hora para outra comecei a engordar, todo o esforço do ano passado foi por água abaixo, meti o pé na jaca? Exagerei? Não sei não consigo determinar onde exatamente estou errando. Não estou aqui me lamentando, me fazendo de vítima, alguma coisa está errada, resolvi encarar o problema e baixei na endocrinologista, feitos os exames descobri que meu coleterol está uma ignorância!
Resolvi enfrentar o boi na unha e parei de tomar refrigerante diet, parei de comer carne vermelha, parei de tomar café.... ainda não sei que é que vai acontecer, mas resolvi pagar para ver! Sei que no final vou ter que tomar o remédio mas antes vou ver se faz diferença esse esforço!
Vamos ver!

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Heranças




Hoje em dia fazer a barra de uma calça é coisa muito simples, além das lojas disponibilizarem o serviço, em qualquer esquina, existe um estabelecimento especializado em barras, aqui no meu bairro tem um monte, mas nem sempre foi assim, houve um tempo que era preciso saber fazer barra.
Minha mãe fazia barras, não muitas, mas fazia, na verdade eu nem sei muito bem como essa parte era resolvida na minha casa, usei muita fita crepe e outros truques para resolver a questão, as barras passaram a fazer parte da minha vida em 1984.
Certa vez, quando eu ainda namorava o maridão, um dia ele me aparece pedindo que eu fizesse a barra de uma calça, achei o pedido a coisa mais esquisita do mundo, mas achei que apesar de nunca ter feito tal coisa, não devia ter mistério, não podia ser a coisa mais difícil do mundo.
Ele vestiu a calça, eu marquei a altura da barra, pus a mão na massa... e descobri que fazer uma barra tinha lá sua ciência... mas na época eu não me apertei, fiz do jeito que deu!
O maridão não gostou do resultado e contou para a mãe dele que eu não sabia costurar! Eu só sabia pregar botão, apenas costura de sobrevivência. Eu não sabia, minha sogra era professora de costura! Na hora que ela viu o serviço, pegou a caixa de costura, mandou o maridão tirar as calças, sentou-se ao meu lado, desmanchou tudo que eu tinha feito e começou a explicar que para costurar a barra é preciso fazer o "ponto  folha", que a linha não deve ser muito comprida e o nó em apenas uma ponta, dali a pouco ela já tinha feito um lado da barra, como uma boa professora me passou a agulha, era minha vez de experimentar! No começo foi um pouco complicado, mas logo entendi o mecanismo da coisa!
Assim aprendi mais um de meus dotes, hoje só faço barras em caráter de emergência, ontem precisei desenterrar meus apetrechos, por isso lembrei-me da minha sogra e fiquei pensando que muitas vezes não percebemos que recebemos heranças não materiais de pessoas diversas. 
Aprendi a fazer barra com a minha sogra, manobrar o carro com meu avô, no final das contas somos o resultado de nossas experiências, dos contatos que vamos estabelecendo ao longo da vida e só depende de nós mesmos celebrar cada uma dessas heranças e manter a tradição, transmitir o conhecimento para outras pessoas.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Um caso para estudo

Para certas coisas não há explicação, eu só sei que acontecem, e eu acho engraçado, curioso, até podem dizer ser esquisito, preferiria que não fosse comigo, mas coisas assim acontecem.
Minha mãe voltou do almoço com as amigas da faculdade toda intrigada, a dona da casa havia feito, a pedido de uma das amigas um a receita de macarrão que minha mãe nunca tinha ouvido falar, como se ela só conhecesse as receitas do Vêneto, região de onde vieram os avós dela, até perguntou para meu pai, afinal a receita é da Calábria e meu pai tinha uma avó calabresa.
Ela não lembrava o nome, começou a descrever a receita, primeiro é preciso fazer a farinha de rosca com pão amanhecido, depois coloca o azeite... Ops!
Eu também nunca comi isso, mas essa receita consta do caderno da minha avó! Minha mãe duvidou e foi pegar o tal caderno de receitas, aliás é uma coisa muito interessante a minha intimidade com as receitas da minha avó, eu não tenho muitas delas no meu repertório, sempre achei muitas delas complicadas e na verdade as receitas da comida da minha avó não estão nesse caderno, ela gostava de copiar receitas, mas fazer era outra história.
O caso é que eu peguei o caderno e comecei a folear, as páginas já envelhecidas transpiram memórias, acho que já contei isso aqui, minha avó tinha um monte de cadernos de receitas, cada vez que o caderno começava a despencar ela começava a copiar outro, claro que essa era uma tarefa um tanto demorada, então quando ela avaliou que a letra das netas já era suficientemente treinada, ela começou a nos convocar para ajudá-la, e a descriçao da minha mãe era de uma recita que eu já havia copiado várias vezes, nunca comi, nunca tive coragem de fazer tal receita, me dá agonia!
Procurei e encontrei, a receita está lá, minha mãe disse que é gostoso mas tenho aflição de pensar em misturar macarrão com farinha de rosca! O engraçado é eu ter esse registro das receitas que eu copiei!
Fiquei pensando se haveria alguma razão para essa minha lembrança, não consigo explicar com a teoria do desenvolvimento, acho que isso se chama aprendizagem afetiva, eu copiava as receitas pela por uma única razão, para ajudar e agradar minha avó, simplesmente amor!

sábado, 21 de janeiro de 2012

Mobilização Nacional - Minhas Impressões

E a Luísa, coitada, que não sabia de nada, voltou do Canadá!
Essa semana o Brasil parou, todo mundo, menos a Luísa, que está no Canadá, para discutir as aventuras sexuais dos participantes do BBB, eu não estou discutindo o mérito do fato, eu não consigo decidir se acho que foi ou não foi. Aliás a moça disse à polícia que trocou carícias com o acusado.
A história da Luísa que está no Canadá tomou conta das mídias sociais, todo mundo, menos a Luísa que está no Canadá, fez um cometário, uma brincadeira, foi bem espontâneo, engraçado mesmo, afinal todo mundo, menos a Luísa que está no Canadá, inventou alguma brincadeira com isso!
Ao mesmo tempo estava rolando a maior polêmica sobre o comportamento dos participantes do BBB.
Eu estava achando que ninguém mais, além de mim, assistisse BBB, eu estava achando que assistir era coisa de gente pouco esclarecida que gosta de fazer fofoca sobre a vida dos outros, afinal todo mundo, menos a Luísa que está no Canadá,  estava publicando opiniões bem negativas sobre o BBB.
Antigamente, muitas pessoas confundiam a fantasia das novelas com a realidade, até hoje, tem quem chame a  Beatriz Segall de Odette Roitman, quem não sabe quem matou a Odete Roitman? Hoje todo mundo, até a Luísa que estava no Canadá, sabe quem matou a Odete Roitman, mas em 89 muita gente ficou paralisada na frente da televisão à espera do último capítulo de Vale Tudo.
Isso era antigamente, hoje, ninguém mais cai na armadilha da novela, todo mundo já sabe, até a Luísa que voltou do Canadá, que é tudo inventado, mas como é que fica a Rede Globo  que fez fortuna com as novelas? Se o povo não acredita em novela que será dos patrocinadores que enriquecem vendendo sabão em pó para as donas-de-casa no horário nobre?
Eles descobriram um jeito muito mais prático, mais barato e muito mais irresponsável  de mobilizar o Brasil, com o BBB, uma novela sem roteiro,  nem conteúdo, sem astros nem estrelas, apenas desconhecidos a procura de fama e fortuna, disputando um prêmio em dinheiro, no início a própria Globo, em suas propagandas do programa perguntava - O que você faria para ficar com o prêmio de meio milhão de reais? (o pessoal se matava por meio milhão).
Já se viu de tudo no BBB, amor a primeira vista, ódio espontâneo, homofobia, misoginia, masturbação,  sexo sem segurança, sexo com penetração, traição, mentira, muita mulher de bunda  e peito de fora, muita gente se exibindo, aliás é um programa de gente exibida, quem é acanhado nem se inscreve, claro, todo tipo de safadeza, muita gente achou que o BBB ia acabar, mas muita gente é muito tonta mesmo, até parece que ninguém sabe que é só o BBB começar que todo mundo, menos a Luísa que estava no Canadá, corre para comprar o Pay-per-View para ficar 24 horas por dia assistindo ao programa!
Eu achava que ninguém assitia o BBB, pois eu não consigo mais assistir tudo, a única coisa que muda, de verdade é a decoração da cozinha... o resto é sempre a mesma coisa, esse ano o Bial até falou..." essa prova é igual a primeira prova do BBB1!"
Eu continuava a achar que ninguém mais assistia, até que domingo começou um ti-ti-ti, "estupro, estupro, estupro", bem à moda dos linchamentos populares, parecido com aquela História da Escola Base, alguém acusa, a massa pune, tanto fizeram que até polícia baixou na emissora, até que expulsaram o moço. Depois a moça falou que estava gostando, mas o moço já tinha ido embora, ai a coisa tomou uma proporção inesperada, afinal ninguém asiste o BBB e por isso mesmo pode dar opinião convicta, todo mundo , menos a Luísa que chegou do Canadá, sabe das coisas.
Foi tanto alvoroço sobre o tal estupro, que a Globo para desvirtuar a conversa, pagou a passagem para a Luísa voltar do Canadá, levou a menina até o Jornal, entrevistou, ela virou uma PopStar.
Enquanto a  Sonia Abrão  ainda falava do estupro, entrevistava especialistas no assunto,  especulava, dava todos os detalhes, no SBT, o Carlos Nascimento diz que todo mundo, menos a Luísa que estava no Canadá, é burro por dar tanta atenção ao suposto estupro, ao caso da Luísa. Muito convincente vindo de alguém que trabalha na emissora de um homem que vive de explorar criancinhas e patrocinar as piores pegadinhas da televisão. Na minha teoria conspiratória, a Globo, está agindo como o Partido no 1984, apagando todos os registros, manipulando a verdade. Assim como nos mandamentos escritos numa parede de celeiro em outro livro do George Orwell, "Todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais que os outros." , tentando a todo custo se eximir da responsabilidade que lhe cabe como promotora do programa e da precipitaçnao da eliminaçnao do participante, parece que quiseram dar uma grana para ele não se pronunciar, mas ele quer mais, quer limpar seu nome, sua honra.
Estamos todos, até a Luísa que estava no Canadá, vulneráveis as mensagens  de massa, à lavagem cerebral, há quem diga que não, mas a História está repleta de exemplos de vereditos populares precipitados, no filme "A Onda" de 1981, o exemplo é perfeito,  os alunos de uma escola, são todos levados a uma mobilização fanática e cega respondendo aos apelos de um líder carismático.
Não somos mesmo influenciáveis?